Os Reds estão Purple..de vergonha.


O Liverpool, em crise prolongada, enfrentou o Stoke City na casa dos Potters, o Britannia Stadium, pela 22ª rodada da Barclays Premier League, a primeira divisão do campeonato inglês.

Honestamente..típico jogo que você assiste simplesmente porque torce pelos Reds. Até os filmes da Xuxa e os livros do Paulo Coelho estavam mais interessantes, ou não. É uma discussão pontual, com diz o grande @oclebermachado. Jogo feio demais. Foram raros os momentos que a redonda rolou no chão. As duas equipes mostraram pouquíssimas alternativas, resumindo a partida a chutões para todos os lados, um clássico western com balas, ou bolas, para todos os lados.


Os Reds desfalcados de seus principais jogadores, Fernando “El Niño” Torres e o Capitão Steven Gerrard, comprovaram ter um time comum, extremamente dependente dos seus principais jogadores e talvez até covarde.

O contestado e pressionado Rafa Benítez escalou a seguinte formação: Reina; Insua, Skrtel, Kyrgiakos e Carragher; Fabio Aurélio, Masquerano, Lucas, Degen e Kuyt; David (“Mito”) N’Gog.

Os chutões e ligações diretas entre a defesa e o ataque foram característicos do Liverpool que conseguiu um gol aos 12’ da segunda etapa em cobrança de falta sofrida por Degen após uma das poucas trocas de passes conscientes. Fábio Aurélio bateu e o zagueiro grego Kyrgiakos aproveitou após confusão na área.



A equipe se limitou a se defender depois de abrir a contagem e após uma forte pressão dos mandantes, um tanto quanto desordenada e desesperada, sofreu o gol de empate de outro mito (?), o alemão Robert Huth, aos 45’ do segundo tempo. De resto, uma última oportunidade com o holandês Kuyt nos acréscimos que acertou a trave após um belo peixinho em ótimo cruzamento de Fabio Aurelio. É a fase.


Os responsáveis por fazer a bola rodar e ajudar a pelota a chegar ao fraco N’Gog seriam Degen, Kuyt e Aurélio, mas os pupilos do comandante espanhol pouco fizeram e o goleiro dos Potters trabalhou menos que imaginava. Com pouca movimentação e aproximação entre os homens de frente e o meio foram raras as oportunidades criadas durante os 90’ minutos. A defesa também não inspira solidez e segurança. Pepe Reina perde seus cabelos não existentes a cada jogo.


O mais questionável é olhar o banco dos Reds com Aquilani, Riera e o recém contratado Maxi Rodriguez. Os três em qualquer condição e sem o devido entrosamento trariam maior qualidade no passe e opções ofensivas ao time, afinal, a qualidade ainda pode fazer a diferença... pelo menos eu acredito. Benitez usou Rodriguez e Aquilani, mas entraram aos 78’ e 87’ respectivamente... pouco tempo para mostrar alguma coisa.

O time está em crise, mas empatar com um adversário que tem como principal jogada (talvez a única!) secar a bola com uma toalha e arremessá-la para a área é inadmissível para um clube com a história, a tradição e a camisa do Liverpool.


Encerro meu post azedo e pessimista por aqui com um último comentário: O Chelsea deu uma aula de futebol hoje em Stamford Bridge contra o Sunderland goleando por 7-2. Talvez isso inspire um pouco Rafa Benitez e a rapaziada. PS: Sem qualquer intenção de fazer referências ao “clássico da MPB” Adryana e a Rapaziada.

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Uma paixão.

- É TETRA! É TETRA!
17 de Julho de 1994.
Ele não sabia o que se passava, mas sabia que era algo bom, devido ao estardalhaço nas ruas, e até mesmo em sua casa.
A memória que ele tem é de um cara do cabelo engraçado indo em direção a bola, e isolando a mesma.
Oras ,o que aquilo tinha demais?

Logo menos ele iria descobrir:
6 de Agosto de 1995

-O Pai, quem ta jogando?
-O “Coringão”, meu filho! Contra o Palmeiras.
-Huuum. Ta bom, pai!


E fez algo que nunca tinha feito antes: Sentou na sala com seu pai e começou a assistir o jogo.
O que lhe chamou a atenção, foi um certo camisa 7. Baixinho e franzino, mas que parecia ser o “dono” do time, pois era ele quem cobrava as faltas, e era ele quem organizava o jogo.

O jogo seguia. Viu o Palmeiras abrir o placar. As reações de seu pai foram as normais de qualquer torcedor: Xingou, reclamou e continuou olhando a TV, quase sem piscar.
-Pai, quem é esse camisa 7? Toda hora ele ta com a bola!
-É o Marcelinho, meu filho. Joga muita bola.
-Será que ele faz gol?
-Acho que sim. Ele costuma decidir, e bate muito bem as faltas.

Dito e feito: Falta para o Corinthians, o “Pé de Anjo” partiu e colocou no ângulo do Velloso, que só pôde ver. Vibração em sua casa, vibração nas ruas.

O jogo se seguiu para a prorrogação, até que no finalzinho, quando Elivelton acertou um chutaço, garantindo mais um Paulistão para o Corinthians.
Foi uma alegria que só! O Pai o abraçou e começou a gritar, a falar o nome do Corinthians, a cantar o hino.
No fim do jogo, o bairro era só festa. Ele ainda admirado, não sabia a dimensão daquilo. Seria somente o Corinthians? Ou seria o Futebol que o fascinava? Para um garoto de seis anos, isso pouco importava. Ele queria é comemorar gols, e de preferência os de um certo camisa 7, baixinho, e que vestia a camisa do Corinthians, o time do seu pai. O seu futuro time. O seu atual time.
-Pai, posso te pedir um presente?
-Claro, meu filho.
-Me dá uma camisa do Corinthians? Só que tem que ser a branca, com o número 7!
Após isso, ele sorriu, e foi pra rua comemorar com os vizinhos, aos berros de: “É CAMPEÃO!”

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O futebol está acima de qualquer situação, momento, fase, circunstância. É paixão inconsciente, cega, inexplicável..é pura e apaixonante.

Muitos torcem o nariz e vêem a paixão nacional como algo supérfluo e alienante, porém não é. Verdadeiras tragédias acontecem sempre deixando Homero e os antigos gregos no chinelo mais vagabundos. 02/12/2007 - O antigo garotinho já é um moleque de barba de 1m80cm com sua camisa sete, presente dado pelo pai há doze anos, no ombro. Ele abre uma lata de cerveja às 16h para o último ato que definiria o destino de uma nação: uma nação preocupada que tinha esperanças e apostava todas suas fichas em seus heróis, na história, na tradição e em um único ponto, 43 – 42, o suficiente para a nação.

A decisão tinha dois palcos: Porto Alegre, infestado por um bravo e empolgante mar azul, preto e branco e por alguns poucos alvinegros que incentivam seus soldados, e o Serra Dourada infestado por esmeraldinos e alguns colorados. Aos dois minutos em Porto Alegre o golpe gaúcho: Jonas abre o placar e o jovem atônito deixa a cerveja cair no chão. O garoto sorri ao ver Orozco abrir o placar aos 13’ a favor do Internacional no Serra Dourada. Aos 29’ a reação: Clodoaldo empata a partida e a minoria alvinegra vai à loucura esperançada. Aos 32’ no Serra Dourada Élson empata para o Goiás. Os corintianos olham preocupados. Os jogos se arrastam até o intervalo e a vantagem é dos paulistas.

Outra cerveja é aberta, um cigarro é aceso e o segundo tempo começa nos dois campos de batalha. Atenções todas para a televisão. O mundo era o Olímpico, nada mais existia.

Aos 12’ pênalti para o Goiás no planalto. A respiração dos alvinegros é interrompida e a esperança dos goianos aumenta: Paulo Baier bate, Clemer defende e Djalma Beltrão manda voltar. Parece que alguma coisa lá em cima está contra a nação. Nova tentativa e tudo se repete deixando os alvinegros desesperados. São Jorge nada pôde fazer: na terceira tentativa, Élson bate e converte com maestria.

Quinze, vinte minutos de rezas, olhares vidrados e lágrimas ensaiando uma queda. As substituições não são suficientes. A minoria no estádio Olímpico e os milhões pelo país choram com o apito de Alício Pena Júnior.

O garoto em estado de choque olha para a televisão sem reação: não se mexe, não pisca, quiçá não respira. O Corinthians caiu, o gigante jogaria a série B no ano seguinte. Ele senta na cadeira com a cabeça baixa e as lágrimas rolam no chão. Betão, Zelão e Felipe choram, a minoria no Olímpico chora, a nação chora.

Como resumir o sentimento? Vergonha?Nunca...corintiano não tem vergonha de nada, principalmente de ser corintiano. Apenas decepção e a certeza de que nada abalaria o amor, a paixão. Divisão não quer dizer nada. O garoto ergue a cabeça, bate no peito e diz: Eu sou corintiano e eu nunca vou te abandonar porque te amo.

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O blog Fim de Peleja foi criado para falarmos sobre futebol e outras coisitas mais para quem quiser ler. Para falarmos.."quem falarmos"?Eis a resposta: Paulo Cesar, vinte anos, estudante de Direito e corintiano; Felipe Pahor, vinte e um anos, estudante de Rádio e TV e corintiano. Graças a Deus!

Os textos acima são, respectivamente, de nossa autoria e retratam, através de duas situações antagônicas do maior de todos, o que é o futebol para nós dois. Espero que curtam esse pequeno espaço e comentem sobre nossos textos que falarão, obviamente, de futebol e outras coisitas mais para quem quiser ler. Ah sim..nos perdoem o pleonasmo.
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